[T&B 2020] Marcus Viana – Sete Vidas, Amores e Guerras

Visualizando 14 posts - 1 até 14 (de 14 do total)
  • Autor
    Posts
  • Foto de perfil de Barranquillero
    Barranquillero

    Depois de transcendermos à loucura, de pularmos com a energia baiana e de conhecermos música de sertanejo vampiresco, eis aqui uma experiência nova e deslumbrante. Chegou a hora de fazermos a malas e viajarmos rumo aos pampas para conhecermos a magia envolta neste pedaço do nosso Brasil. 

    Não, não se trata de um álbum de música tradicionalista gaúcha. Eu diria ser uma trilha sonora com narrativa épica que nos transborda a uma época de revoluções, mistérios e solidão. As músicas misturam a narrativa da Guerra dos Farrapos com instrumentais que vão desde violino às flautas indígenas, numa atmosfera envolvente e instigante.

    Escutem antes de problematizar, pois é um álbum intenso que tenta retratar parte da história do nosso país. Algumas músicas são entoadas pela voz estonteante da Adriana Mezzadri, outras apenas riquíssimos instrumentais.

    A intenção não é ovacionar movimentos separatistas, mas sim fazê-los ouvir músicas belíssimas.

    Resultado de imagem para Sete vidas amores e guerras

    RELAÇÃO DE MÚSICAS:

    01 - Sinfonia Platina
    02 - Na Vastidão dos Pampas
    03 - Por Honra e Glória
    04 - Cavalgando pela Liberdade
    05 - Sete Vidas
    06 - Do Amor e da Guerra
    07 - Minuano
    08 - Cavalo Baio
    09 - Prenda Minha
    10 - Rio Grande
    11 - A Retirada
    12 - Uma Voz no Vento
    13 - Tema da Batalha
    14 - Il Dio dei Buoni
    15 - Cristais
    16 - Do Amor e da Guerra II
    17 - Prenda Minha II
    18 - Vidas, Amores e Guerras

     

    Spotify: Faça login ou cadastre-se para visualizar este conteúdo.

     

    Este álbum serviu como trilha sonora para minissérie A Casa das Sete Mulheres (2003) cujas cenas foram gravadas em cidades como Pelotas e São Lourenço do Sul

    Resultado de imagem para a casa das sete mulheres

     

    Foto de perfil de Barranquillero
    Barranquillero

    T&B é arte, T&B é cultura, T&B é história: dedico este tópico em memoria dos negros e indígenas gaúchos, os verdadeiros guerreiros deste período sombrio da história do nosso país.


    Resultado de imagem para lanceiros negros


    Batalha de Porongos: covardia, traição, falsidade

     

    A Revolução Farroupilha foi a mais longa revolta republicana contra o Império escravocrata e centralizador brasileiro. Os grandes e poderosos proprietários de terras gaúchos, sentindo-se desfavorecidos pelas leis federais, principalmente pelos impostos considerados excessivos, entram em negociações com o governo regencial. Tais negociações, consideradas insatisfatórias, criam um crescente estado de tensão até o rompimento definitivo e a declaração de guerra, em 20 de setembro de 1835.

    Depois do combate travado em Bagé, conhecido como "a Batalha do Seival", em que as forças imperiais foram surpreendente e rotundamente derrotadas, surge um movimento político dissidente e separatista. Com sua radicalização é proclamada a independência e criada a República Rio-Grandense frente ao Império do Brasil, propondo uma República Federativa às demais províncias que viessem a separar-se do Império e assumissem a forma republicana.

    Para lutar por "um país independente" foi necessário juntar as tropas dos generais que aderiram à causa e assim foi formado o "exército farroupilha" liderado pelo Gen. Bento Gonçalves. Na verdade, os verdadeiros protagonistas dessa luta foram os negros, os índios, os mestiços e os brancos pobres que lutaram de forma abnegada pela recém criada República e por espaços de liberdade, buscando um futuro melhor para si e para os seus. Entre os generais está um abolicionista convicto, Antônio de Souza Netto, que não só coloca a libertação dos escravos como um dos "ideais farroupilha" como propõe a participação dos negros na luta dos farrapos. Num primeiro momento a idéia é rejeitada. Porém, em 4 de outubro de 1836", depois da "Derrota de Fanfa", em que Bento Gonçalves foi preso e o exército farroupilha teve excessivas baixas, eles não vacilaram em libertar os escravos que, em troca, se engajaram no exército farroupilha. Assim foi criada a unidade militar que ficou conhecida como os Lanceiros Negros.

    Nesse corpo de Lanceiros Negros só havia brancos entre os oficiais superiores. Os negros eram os melhores domadores de cavalos da província. Suas lanças eram maiores do que as ordinárias, os rostos pretos como azeviche. Seus corpos robustos e a sua perfeita disciplina os tornavam o terror dos imperiais. A participação decisiva dos Lanceiros Negros foi ressaltada pelo republicano Giuseppe Garibaldi - "herói dos dois mundos" - em sua biografia escrita por Alexandre Dumas: "soldados de uma disciplina espartana, que com seus rostos de azeviche e coragem inquebrantável, punham verdadeiro terror ao inimigo" ou ainda "…mas nunca vi, em nenhuma parte, homens mais valentes, …em cujas fileiras aprendi a desprezar o perigo e combater dignamente pela causa sagrada das nações…" (GARIBALDI,Giuseppe, em FAGUNDES, M. Calvet, História da Revolução Farroupilha. EDUCS.1989.p. 9).

    Depois de lutarem, durante dez anos, não por dinheiro ou impostos, mas pela liberdade, no dia 14 de novembro de 1844 foram miseravelmente traídos no mais vergonhoso episódio dessa guerra, conhecido como "O Massacre de Porongos". Desarmados, por seu comandante Canabarro, esses homens foram traiçoeiramente entregues a sanha historicamente genocida de Caxias.

    <figure id=”attachment_203312″ class=”wp-caption alignright” aria-describedby=”caption-attachment-203312″ style=”text-align: justify;” data-mce-style=”text-align: justify;”>
    <figcaption id=”caption-attachment-203312″ class=”wp-caption-text”>Duque de Caxias: resolvendo a questão dos negros em armas</figcaption></figure>

    A "Traição de Porongos" e o Massacre dos Lanceiros Negros

    Como explicar aos brasileiros tamanha covardia e a baixeza moral perpetradas por dois homens, David Canabarro e Duque de Caxias, ambos idolatrados como "heróis" pela historiografia oficial - um deles até considerado "patrono do Exército" - durante a chamada Revolução Farroupilha? Os historiadores oficiais criaram deliberadamente imagens falsas de Porongos procurando não macular "seus" heróis. Entretanto, a hediondez dos acontecimentos só nos permite uma coisa: não a explicação, mas a revelação da verdade, baseada em documentos oficiais que ficaram escondidos por décadas e só agora revelados.

    As crescentes dificuldades enfrentadas pela nova República e as disputas políticas na região do Prata, preocupantes para as autoridades do Império, impuseram às duas partes negociações de paz. Uma vitória militar decisiva dos farrapos sobre o exército imperial, comandado pelo então Barão de Caxias, tornara-se cada vez mais inviável. Por parte do Império era importante terminar logo a luta e buscar uma paz negociada, pois tudo indicava a inevitabilidade da luta com os vizinhos platinos. Mas para as duas partes era importante resolver a questão dos negros em armas. Os revoltosos haviam prometido liberdade aos negros que lutavam no exército farroupilha e com isso a Corte Imperial não concordava. Era um perigo para os escravocratas brasileiros um grande número de negros armados. E se eles, agora bastante coesos, procurassem asilo no Uruguai e a partir daí continuassem a guerra com táticas de guerrilhas, fazendo do território uruguaio seu santuário? Isso levaria à guerra e "poderia provocar graves problemas com a Argentina de Juan Rosas" (LEITMAN Spencer, Negros Farrapos: hipocrisia racial no sul do Brasil no séc. XIX e DACANAL José, A Revolução Farroupilha: história e interpretação. Porto Alegre: Mercado Aberto.1985. p. 72)

    Pelo lado dos farrapos, Bento Gonçalves foi afastado da liderança, e os novos líderes, David Canabarro e Antônio Vicente da Fontoura, ambos escravocratas, negociavam a paz com Caxias. A promessa de liberdade para os combatentes negros depois de 10 anos de abnegadas e vitoriosas lutas deles nas batalhas pesava muito nas negociações.

    <figure id=”attachment_203313″ class=”wp-caption alignright” aria-describedby=”caption-attachment-203313″ style=”text-align: justify;” data-mce-style=”text-align: justify;”>
    <figcaption id=”caption-attachment-203313″ class=”wp-caption-text”>General David Canabarro: acordo</figcaption></figure>

    Foi neste contexto que aconteceu, na madrugada de 14 de novembro de 1844, o "Massacre de Porongos" em que os Lanceiros Negros - previamente desarmados por Canabarro e separados do resto das tropas - foram atacados de "surpresa" e dizimados pelas tropas imperiais comandadas pelo Cel. Francisco Pedro de Abreu (o Moringue), através de um conluio entre o barão (mais tarde duque) de Caxias e o gen. Canabarro para se livrarem dos negros em armas e poderem finalmente assinar a Paz de Ponche Verde. "Traição de Porongos, que mais foi a matança de um só lado do que peleja, dispersou a principal força republicana e manifestou morta a rebelião. (…) Em Porongos pois, a revolução expirou. Foi daí que seguiu-se o entabulamento das negociações, que deram tranqüilidade ao Rio Grande do Sul" (ARARIPE, Tristão de Alencar. Guerra civil no Rio Grande Do Sul: memória acompanhada de documentos lida no Instituto Histórico Geográfico do Brasil. Porto Alegre, CORAG, 1986, p.211).

    "Caxias confiava no poder do ouro. Com poderes ilimitados e verbas consideráveis para sobrepor-se aos "obstáculos pecuniários" que surgissem ao negociar com os líderes farrapos, ele tentou um acordo com David Canabarro, o principal general farrapo, para terminar a guerra. De comum acordo decidiram destruir parte do exército de Canabarro, exatamente seus contingentes negros, numa batalha pré-arranjada, conhecida como "Surpresa de Porongos" em 14 de Novembro de 1844" (LEITMAN, Spencer. Negros Farrapos …Idem p. 75)

    Em suas instruções secretas a Moringue, o comandante da operação, Caxias, orientou-o no sentido de poupar brancos e índios, que poderiam ser úteis para futuras lutas.

    Canabarro cumpriu sua parte no combinado, deu ordem ao quartel-mestre para recolher o cartuchame de infantaria e carregá-lo em cargueiros para serem distribuídos quando aparecesse o inimigo e separou os negros farrapos do resto da tropa. Isolados e desconhecendo a traição de seu comandante, os Lanceiros Negros resistiram bravamente antes de serem liquidados. O "Combate de Porongos" - no qual oitenta, de cada cem mortos, eram negros - abriu caminho para a Paz de Ponche Verde alguns meses depois.

    A indignação de Bento Gonçalves com Canabarro é revelada logo após o "combate" de Porongos quando diz que os "caminhos indispensáveis por onde Canabarro tinha de avançar eram tão visíveis que só poderiam ser ignorados por quem não quisesse ver nem ouvir ou por quem quisesse ouvir a traidores, talvez comprados pelo inimigo! (…) Perder batalhas é dos capitães e ninguém pode estar livre disto; mas dirigir uma massa e prepará-la para sofrer uma surpresa semelhante (…) é (…) covardia do homem que assim se conduz". [Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul. Coletânea de Documentos de Bento Gonçalves da Silva. 1835/1845]

    Poucos dias depois, Teixeira Nunes e os Lanceiros Negros remanescentes são enviados por Canabarro para uma ação altamente temerária na retaguarda inimiga (sobre a qual pairam também suspeitas). Atacados por Chico Preto, são aniquilados e seu comandante é ferido e depois assassinado.

    Tal como nos dias de hoje em que as autoridades do país escondem seus crimes hediondos, alguns contra a humanidade, amparadas por leis fraudulentamente arrancadas de um congresso corrupto até a alma, como é o caso dos crimes praticados pelas autoridades civil e militar durante o período 64/85, a "Traição de Porongos" permaneceu como um segredo guardado a sete chaves por muitos anos.



    Fonte: Faça login ou cadastre-se para visualizar este conteúdo.

    Foto de perfil de Barranquillero
    Barranquillero

    Man Down, rom pom pom pom


    Foto de perfil de Barranquillero
    Barranquillero

    O texto ficou com uns bugs, mas foda-se. A intenção que escutem, leiam e conheçam a verdadeira face da história

    Foto de perfil de FA Wolf
    FA Wolf

    farroupilhas lixos separatistas assassinos de negros

    Foto de perfil de Laura Fernandes
    Laura Fernandes

    Espero que seja boa, pra ter prioridade sobre a trilha atemporal e mística que ele fez pro Clone


    Foto de perfil de Laura Fernandes
    Laura Fernandes

    Sem link pra baixar, sem T&B


    Foto de perfil de Tostig
    Tostig

    download: https://mega.nz/#!POIQRCCb!yKNTf4JxxvQldj0etkLgxxAcP5rcUec5vAlo8oHcYNs


    bom, a trilha da casa das sete mulheres é icônica mesmo, acho marcus viana ótimo, icônico mesmo, em grande parte a magia tanto do clone quanto da casa das 7 mulheres está na trilha sonora, e os instrumentais são realmente nostalgicos e poderosos. 


    esse álbum não é o cd da casa das sete mulheres com as músicas-tema. esse era um com as músicas que tocavam na mini-série, que tinha o tiago lacerda de garibaldi na capa, eu escutei muito o meu dos camelôs, nele tinha por exemplo a versão da gal costa pra merceditas, uma voz no vento era com a leila pinheiro e tinha até o rodrigo faro cantando media vuelta…. esse aí é um álbum do marcus viana, com os instrumentais da série e outras leituras das músicas inéditas


    enfim, dito isso:


    tirodo amor e da guerra parte 2, pq a 1 já é chatinha, a 2 pior ainda


    boto: por mais que tenha instrumentais icônicos como o tema da batalha, a memória afetiva me coloca entre cavalo baio, que sempre me lembra giovana de anita e era tudo pra mim, dá vontade de gritar IIIIRRRAAA em cima de um cavalo e sair correndo pelos campos, e uma voz no vento que marcou amores escolares e me deixava triste… por mais que eu goste da adriana, a Faça login ou cadastre-se para visualizar este conteúdo. é mais melancôlica que a desse álbum. ainda assim, não tenho como colocar outra que não seja uma voz no vento. essa música é linda em qualquer contexto com qualquer interpretação….

    Foto de perfil de FA Wolf
    FA Wolf

    BOTO: Sete Vidas Privilegiadas, mas também podia ser Sinfonia Platina


    TIRO: Um monte de coisa, pois quando ouço discursos de vencer a guerra pela honra e glória desse monte de separatista safado, reviro os olhos. Sdds de quando eu não ligava muito pra História. Mas enfim, tiro Tema de Batalha, que é uma verdadeira bobagem genérica que ainda por cima já adiciona previamente a mixagem de som das batalhas, tiros e cavalos, que foram repetidos em qualquer cena de guerra.


    PS: Prenda minha de cu é rola, Marcos Viana

    Foto de perfil de Barranquillero
    Barranquillero

    Já me rasguei em elogios, então…


    BOTO: Podia ser a longa e belíssima Sinfonia Platina cujas transições não a deixem nem um pouco enjoativa. É incrível a tensão que envolve Cavalgando pela Liberdade. Assim como o ritmo épico em Cavalo Baio que eu curto muito. Menção honrosa para a curtíssima Minuano envolta no seu mistério junto a flautas indígenas e aquele violino maravilhoso.  Todavia, escolho Sete Vidas que além do instrumental rico, é entoado pela lindíssima voz da Adriana e a letra é demais. Sempre foi a minha preferida.


    TIRO: Prenda Minha, Pt.2 porque é chocha, capenga e inconsistente.

    Foto de perfil de Laura Fernandes
    Laura Fernandes

    A trilha é bonita, bem feita e parece de filme… mas chegou uma hora em que eu confundi as músicas e queria que acabasse

    Curti: Por Honra e Glória e A Retirada (praticamente temas do rei Ennio Morricone), e Uma Voz no Vento


    BOTO: Sete Vidas, linda e memorável na letra, melodia e voz da Adriana (só não supera Marcas de Ayer, de O Clone)


    TIRO: Prenda Minha, porque é extremamente insuportável, destoa completamente da trilha e eu quase espumei quando vi que tinha a parte 2 (felizmente era instrumental)


    Foto de perfil de Tostig
    Tostig

    morto no hate generalizado com a prenda


    Foto de perfil de Laura Fernandes
    Laura Fernandes

    morto no hate generalizado com a prenda

    Tive vontade de me separar do mundo ouvindo essa bomba

     

    Foto de perfil de Barranquillero
    Barranquillero

    Faça login ou cadastre-se para visualizar este conteúdo.

    Faça login ou cadastre-se para visualizar este conteúdo.

    morto no hate generalizado com a prenda

    Tive vontade de me separar do mundo ouvindo essa bomba


    Separatistah

Visualizando 14 posts - 1 até 14 (de 14 do total)


Cadastre-se no pandlr.com para participar deste tópico.
Clique aqui para se cadastrar ou faça login abaixo via rede social:

        






Logar utilizando uma rede social
         
×
×